sábado, 9 de fevereiro de 2019

[Política Traduzida #21] As eleições nunca acabam


João Campos e Felipe Carreras são deputados federais e virtuais pré-candidatos à Prefeitura do Recife (Foto: divulgação)
Por mais que as eleições propriamente ditas só ocorram de dois em dois anos, no âmago do cenário político, elas nunca acabam. Ainda antes do pleito de 2018, as eleições municipais de 2020 já estavam bastante vivas na pauta política. A cada entrevista de um daqueles virtuais pré-candidatos municipais, o discurso de foco em 2018 era pregado, mesmo sem enganar a ninguém. Já ali, quase diariamente, estavam presentes em algum dos principais cadernos ou blogs políticos, os nomes dos futuros candidatos.

Em Recife, o cenário é quase que inimaginável. Mais de dois anos antes do pleito municipal, um jovem que nunca exerceu mandato e uma vereadora estavam sendo apontados diariamente como principais candidatos à Prefeitura da capital. Quando inserimos os sobrenomes Campos e Arraes, tudo se explica. O que se falava era "quem dos dois for o federal mais votado de PE, é favorito à Prefeitura". João Campos foi o deputado mais votado da história do estado, Marília foi a segunda desse pleito. Seria João o favorito à Prefeitura, então?

A articulação não vive do que se fala nos bastidores. Enquanto Campos, do PSB, construía sua votação recorde, que deveria lançá-lo como favorito em 2020, outro deputado tinha os mesmos planos. Felipe Carreras, do mesmo partido, também construía uma candidatura para 2020 enquanto concorria à Câmara. Carreras é mais experiente e buscaria um crescimento na carreira, poderia buscar outro partido para se lançar. Campos ainda tem tempo, e não tem o trunfo da troca de partido. Ou seja, o favoritismo de Campos não era tão certo quanto se pensaria.

E, na realidade, nem só resta ao partido escolher qual dos dois será seu candidato. A articulação do PSB já vem sendo construída de muito antes, quando Geraldo Júlio encaminhou sua reeleição, ainda em 2016, já se começaram a construir as alianças que eclodirão em 2020. As eleições passadas também podem refletir nessas. PT e PSB acertaram um pacto de não agressão em 2018, que já cria um precedente para que a candidatura de Marília Arraes possa ser, pela segunda vez seguida, rifada pelo PT em pról de uma aliança com o candidato dos socialistas.

As vívidas articulações, conversas e planos dão uma continuidade única a um evento bianual. As eleições seguintes começam a acontecer nos bastidores muito antes do fim das eleições anteriores. Prova disso é que, além das de 2020, as eleições de 2022 também já estão sendo montadas. Assim como o prefeito, o governador está em seu último mandato e o PSB já monitora o nome do candidato da situação à sucessão. Hoje, o nome mais forte é o do próprio prefeito Geraldo Júlio, mas ainda há muita água para rolar nos próximos três anos e meio. O mesmo vale para as eleições de 2020.

Para os próximos pleitos, oposições e situações já trabalham por ganhar apoios, partidos já analisam candidatos, chapas e até secretarias. Além disso, diversos políticos já estão construindo seu jabá para fortalecer seu nome. Muito antes das brigas e discussões nas ruas, a articulação gera brigas e discussões nos gabinetes. E não vou nem falar de como isso pode ficar mais frenético e alucinante se a reeleição cier a ser proibida em um futuro próximo. A política respira eleição e vive a partir dela, então, fato é que as eleições nunca acabam.

Sobre como o cenário eleitoral vem se construindo hoje para as eleições de 2020 nas principais cidades de Pernambuco, o Política Traduzida debateu. Escute a edição #21 do programa de política do Caixa de Brita aqui abaixo, só clicar no play.

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