terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

[Polêmicas Vazias #12] O Método Lorre


Foto: Divulgação/Netflix

Depois do fracasso de Disjointed, Chuck Lorre lançou sua segunda comédia para a Netflix, The Kominsky Method. O escritor e diretor produz a série ao lado de Michael Douglas, protagonista da nova sitcom, que já ganhou até Globo de Ouro.

Lorre ficou conhecido pelo grande público após criar sitcoms como Two and a Half Men, The Big Bang Theory, Mom e Mike & Molly, todas transmitidas no Brasil pelo Warner Channel. Por causa dessas produções,sempre se criou um imaginário de que as produções de Lorre seriam comédias que cumpririam bem o papel de fazer rir, mas pouco fariam além disso. The Kominsky Method está aí para mudar esse conceito.

A nova série traz Michael Douglas como Sandy Kominsky, um velho ator que se tornou o principal professor de atuação da Califórnia. A história se desenrola através do seu convívio com o seu agente e amigo Norman Newlander. Após a morte de Eillen (Susan Sullivan), esposa de Norman, Sandy se torna mais presente na vida do viúvo, o ajudando a lidar com todas as situações pessoais e psicológicas que se desenrolam. Enquanto isso, Sandy também enfrenta alguns problemas, mas a série não se aprofunda muito na origem dessas situações.

Alguns pontos do lançamento são muito parecidos com os principais trabalhos de Lorre, como a filmagem e camera única e o trabalho humorístico em cima de um estereótipo principal. Enquanto The Big Bang Theory trabalha a imagem do nerd, Mom a da mãe desnaturada e Two and a Half Men a do homem cafajeste, The Kominsky Method tira, por muitas vezes, seu alívio cômico a partir da velhice dos personagens. Nesse ponto, porém, também existe uma grande diferença em relação às outras séries. As situações encaradas por Sandy e Norman também são levadas a sério.

Ao contrário de tudo o que já vimos de Chuck Lorre, The Kominsky Method não é uma sitcom vazia, do riso pelo riso. A abordagem de temas mais dramáticos, como morte, vícios, relacionamentos e dinheiro sempre vêm acompanhadas de um elemento humorístico, mas tratam as situações de maneiras bastante palpáveis. A superação do luto é uma situação presente na série e, é impossível diferenciar o que é dependência do que é loucura, o que acaba por gerar cenas de apelo emocional. Podemos dizer que a produção possui traços alguns de dramédia.

Outra diferença impactante em relação às outras comédias de Lorre é a ausência dos risos de plateia na série. The Kominsky Method não se utiliza das risadas do público para se fazer rir, e também não precisa disso, mas também não deve ser uma série que vá te fazer gargalhar ou perder o fôlego. Essa forma mais sutil e leve de construir o humor também acaba por conversar melhor com o público mais velho, que acaba sendo, afinal, o que convive na pele com as situações enfrentadas pelos protagonistas.

Quanto às atuações, o nível é altíssimo, os protagonistas têm uma construção emocional bem evidente o longo da temporada, com altos e baixos muito condizentes com o enredo. O elenco também conta com a divertida Sarah Baker (A Campanha, Go On), no papel de Mindy, filha de Sandy; e da consistente Nancy Travis (Last Man Standing, O Clube de Leitura de Jane Austin) como Lisa, aluna e “amiga” do professor. Além delas, participações caricatas de Danny Devito como urologista e de Elliott Gould (Friends) como ele mesmo, ajudam a levantar o nível da série. Por outro lado, ao interpretar a filha problemática de Norman, Lisa Edelstein (House, The Good Wife) parece demorar para se encontrar na personagem, talvez ajudado pelo roteiro, que demora a esclarecer a função dela na trama.

The Kominsky Method nos traz um um novo Chuck Lorre, completamente diferente do que estamos acostumados, possivelmente, ele não agradará ao público que espera mais uma das suas sitcoms de maior sucesso, mas com certeza pode agradar quem chegar despretensiosamente. Michael Douglas acerta em mais uma atuação - e produção - em alto nível, e o enredo traz algum grau de profundidade, mas nada que faça perder a veia humorística. The Kominsky Method é uma boa série para quem gosta de rir um pouco sem precisar se desligar completamente para isso.

O último Polêmicas Vazias debateu as maiores séries de comédia da história. Confere aqui!

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