sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

[Política Traduzida #19] O vexame de Bolsonaro em Davos


Foto: Alan Santos/PR


por Marcelo Aprígio e Vítor Aguiar.

No primeiro compromisso internacional do seu governo, o presidente Jair Bolsonaro participou do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça. Previsto para permanecer na Europa até nesta sexta-feira (25), o presidente e sua comitiva iniciaram a volta ainda na quinta-feira. Estiveram no Fórum, acompanhando Bolsonaro , os ministros Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), Paulo Guedes (Economia), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência). Além deles, Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, permanece na Suíça para participar de reuniões.

O début de Bolsonaro no exterior, porém, foi marcado por tentativas de evitar vexames que, por si só, já foram um pouco vexatórios. Atitudes como cancelar entrevistas pouco antes, se isolar para almoçar sozinho e fazer um discurso com uma parte bem pequena do tempo que lhe foi disponibilizado causou estranhamento na imprensa e nos participantes do evento.

O cancelamento da entrevista coletiva, ao lado dos ministros Guedes, Moro e Araújo, é mais um ato de restrição de Bolsonaro à imprensa. Depois de cercear, por exemplo, a cobertura midiática do evento de posse, o presidente justificou o cancelamento por uma "abordagem antiprofissional da imprensa". Além da explicação vaga, o fato de Bolsonaro evitar falar com os jornalistas durante todo o Fórum levanta especulações de que o presidente pode estar apenas se esquivando para evitar falar besteira e se destacar negativamente por todo o mundo.

Discurso de abertura


A imprensa não foi a única com quem o presidente não quis falar. Em um dos discursos mais curtos já vistos na história do fórum de Davos em sua sessão inaugural  — cerca de 15 minutos ao todo, incluindo a apresentação feita pelo fundador do evento, Klaus Schwab, e as perguntas posteriores —, Bolsonaro repetiu suas principais promessas eleitorais, como se ainda estivesse em campanha, contra um viés ideológico e demonstrou que suas raízes mais profundas estão no populismo.

“Tendo como lema Deus acima de tudo, acredito que nossas relações trarão infindáveis progressos para todos.”, disse o presidente. “Não queremos uma América bolivariana (sic) como havia antes no Brasil com outros Governos. Quero lhes deixar claro que a esquerda não vai prevalecer na América Latina, o que é muito positivo para a região e para todo o mundo”, acrescentou ao final de sua fala no auditório principal do centro de convenções de Davos. A verdadeira chacota do governo é o presidente, não a ministra Damares.

Para outras trapalhadas bolsonaristas, aperta o play e ouça o Política Traduzida #19.

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