segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Em busca de retomar os trilhos do Náutico, Márcio Goiano deve rever algumas convicções



Alvirrubros perderam três dos quatro jogos oficiais disputados na temporada e tem atuado de forma exposta, com marcação frágil nas partidas. Foto: Léo Lemos/CNC
O início de temporada do Náutico contraria os prognósticos positivos que a equipe tinha após fazer um bom ano em 2018, com título pernambucano e, por pouco, não ter conquistado o acesso para a Série B. A base da equipe foi mantida, além do técnico Márcio Goiano, e bons nomes trazidos para o elenco, como os retornos do meia-atacante Jorge Henrique e do volante Maylson. Entretanto, o controle deste começo de 2019 está mal e é preciso ter calma para retomá-lo.

Foram quatro jogos oficiais neste ano. Três derrotas - 3 a 1 para o Fortaleza, 2 a 1 contra o Central e 3 a 1 diante do Sport - e somente uma vitória - por 2 a 0, diante do frágil Sergipe. Por ser início de temporada, os jogadores estão ainda em busca do seu melhor nível físico e técnico. Com isso, oscilações são normais. Porém, da forma que estão acontecendo, pressionam Márcio Goiano no cargo. Ele tem sua parcela de culpa neste cenário, porém, reforço que é preciso ter calma.

O treinador tem montando a equipe da mesma forma que terminou a última temporada. No esquema 4-1-4-1, com variações para o 4-2-3-1. O Alvirrubro tem jogadores leves no seu setor ofensivo e conta com boa fase de Wallace Pernambucano. Mas, mesmo com o ataque não devendo tanto, a defesa não tem tido a sustentação necessária para que a equipe jogue da maneira que está acostumada.

Primeiramente, o espaço dado na marcação é o principal calo timbu. Os jogadores do setor de meio-campo tem atuado distantes um do outro e recompõem de maneira lenta. Isso permite que o adversário tenha a posse de bola por mais tempo na entrada da área alvirrubra, crie com mais facilidade e finalize quase sempre com perigo. Além da má fase vivida pelo quarteto defensivo - Hereda, Camutanga, Sueliton e Assis -, Josa, que faz a proteção na cabeça de área, está sobrecarregado e não dá conta de cobrir todo aquele setor. Luiz Henrique, que também faz o papel de volante, não consegue dar o suporte necessário na contenção.

Tal estilo de jogo adotado pelo Náutico já se mostrou, no passado, eficiente. Porém, com novas as novas peças que ainda estão se adaptando ao esquema, falta um encaixe maior para auxiliar o sistema defensivo. Fábio, Jorge Henrique e Matheus Carvalho, titulares no clássico diante do Sport, não tem dado o suporte necessário - seja por questão física ou técnica -, e assim a montagem feita pelo treinador fica comprometida.

Cabe, neste caso, a Márcio Goiano repensar sua forma de atuação enquanto o Náutico não engrena na temporada. É preciso ‘fechar a casinha’, jogar de forma mais precavida e colocar mais algum jogador de marcação no meio de campo, que proteja a entrada da área timbu. Assim, com a equipe postada de modo mais equilibrado, se torna possível explorar melhor a característica desse elenco, de posse de bola, toques rápidos e bastante agressividade. Por maior longevidade no cargo e para retomar os trilhos do Náutico em 2019, o treinador deve mexer em algumas das suas convicções antes que a pressão se torne insustentável.
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