quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Classicos das Emoções



(Foto: Pajú/Divulgação)

Muito se fala (e até se crítica) da paixão do homem heterossexual por futebol. Que ele só quer saber disso, só fala disso. Compra uma camisa do time. Se enxuga com a toalha do time. Até tatua algo ligado ao seu clube no corpo. Nos dias de jogo, lá está ele no estádio gritando a plenos pulmões, xingando time e torcida adversária. Se o time ganha, ele irrompe em alegria. Faz questão de exibir mais uma vitória ou título e zombar da torcida adversária. Um fanatismo que beira a loucura, diriam uns. Mas você já viu a paixão dos gays por divas pop?

Realmente não há muita coisa de diferente. Muda a sexualidade dos fãs e o objeto da adoração, mas o fanatismo é igual. Compram discos. Fazem mutirão de visualização no Youtube. Andam de site em site a procura das últimas notícias sobre sua “rainha!”.

Mude o Brasileirão pela parada do Spotify ou iTunes e começa a disputa pelos pontos (streams e vendas) corridos. Quanto mais se consome a diva tal, mais ela sobe na tabela. Pode até perder, só não pode flopar. Isso nunca, jamais. Quem não quer ver seu time ganhando todas e levantando a taça no final? Quem não quer ver sua diva emplacando hit atrás de hit e no topo da lista da Forbes de cantoras mais bem sucedidas do ano?

E, claro, estão nos estádios. Gritando a plenos pulmões. Vestindo a camisa. Dando um show nas arquibancadas. A diferença é que lá são torcida única. Não por causa de uma medida judicial para impedir bárbaros confrontos entre torcidas, mas porque é um show único mesmo. A disputa entre torcidas ainda existe, mas se dá em outros campos. As redes sociais, a aba de comentários dos sites e os fóruns tornam-se os estádios. Lá se dá a grande disputa. E ai vale tudo. Vale xingar o time (diva) e a torcida adversária. Uma torcida grita “chacota”, a outra responde com “não é artista!”. Daí em diante a coisa fica intensa, tem até quem baixe o nível e parta para ofensa pessoal. Algumas ofensas beiram a misoginia, machismo e homofobia que tanto reclamam dos heterossexuais.

O ânimo aumenta quando temos um clássico confronto direto. Cher e Madonna, duas lendas do pop, por exemplo, protagonizam um clássico “Majestoso” que não deixa nada a desejar a um São Paulo vs. Corinthians. Britney Spears vs. Christina Aguilera e suas legiões de fãs adolescentes em todo mundo rendeu tanta confusão quanto um “Clássico dos Milhões”, disputa entre Flamengo e Vasco. Em uma das disputas mais emblemáticas dos últimos anos, Lady Gaga e Katy Perry protagonizaram o que poderia ser um “Clássico das Emoções” (Santa Cruz x Náutico). Finalmente as duas artistas mais populares da atualidade se afrentariam pelo nº 1 na Billboard. Os fãs se engalfinharam em uma grande disputa cheia de memes e enaltecendo as conquistas prévias de cada “fave”. No fim, Katy saiu vencedora, dando início à melhor fase de sua carreira. Lady Gaga por sua vez foi direto para a segunda divisão do pop. Mas felizmente ela está de volta à primeira divisão, mesmo que sem o brilho de outrora, ali no meio da tabela.

Veja, nem são tão diferentes assim. Existe até quem tatue o nome da sua cantora ou disco favorito no corpo. Amam, torcem, sorriem e choram por seus ídolos. São fãs.

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