domingo, 2 de dezembro de 2018

They will rock you, uma análise da autobiografia do Queen no cinema


Crédito: 20th Century Fox/Divulgação
Mais do que uma cinebiografia, o filme “Bohemian Rhapsody” é um tributo a trajetória da banda inglesa Queen e de seus integrantes, em especial, do seu vocalista, Farrosh Bulsara, imigrante de Zanzibar, que ficou mundialmente conhecido como Freddie Mercury. Lançado mundialmente um mês atrás, no último dia 2 de novembro, o filme que passou por quase três anos de produção e contou com a luxuosa participação dos dois membros do Queen: o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor.

O longa começa narrando a história do jovem Farrosh (Rami Malek), antes de virar Freddie, que era um rapaz que trabalhava em um aeroporto e frequentava a vida noturna dos pubs londrinos. Em uma dessas noites, ele conhece Roger (Ben Hardy) e Brian (Gwilym Lee), integrantes da banda Smile e que, posteriormente, se tornariam companheiros de Mercury no Queen. Além de Roger, Brian e Freddie, o conjunto também incluía o baixista John Deacon (Joseph Mazzello).

O sucesso do conjunto foi imediato. As inovações musicais e a performance de Freddie como frontman alçaram a banda rapidamente ao estrelato no Reino Unido. Ganhar o mundo foi apenas consequência. O filme traz takes de apresentações do Queen ao redor do mundo para mostrar como foi a vida de rockstars e os processos criativos dos grupo.

Uma figura muito importante na vida de Freddie, que tem posição de destaque na narrativa, é Mary Austin (Lucy Boynton), namorada e companheira do frontman no período inicial da banda e principal conselheira do astro ao longo da vida. Ela é a musa de “Love of my life” e segundo Mercury, foi seu grande amor.

Em uma segunda fase da obra, o filme foca mais na vida de Freddie. Esse arco começa com a separação dele e de Mary, quando ela alega que o relacionamento entre os dois não funcionaria por Mercury ser gay. Com o rompimento do casal, o músico entra em um ciclo de entrega ao álcool e às drogas, o que causa o estremecimento das relações com Roger, Brian e John, afetando também a banda.

A vida cada vez mais desregrada de Freddie e o ritmo autodestrutivo para qual o astro se encaminhava, desencadeia a crise que acaba com a banda no início dos anos 1980. Com isso, o cantor se isola ainda mais e vai até a Alemanha gravar um disco solo – motivo pelo qual ocorre a briga que culmina no fim do conjunto -, enquanto que os músicos decidem dedicar-se às suas famílias.

O filme retrata ainda o produtor que gerenciou boa parte da carreira do grupo e solo de Freddie Mercury, Paul Prenter (Allen Leech), que é tratado pela película como vilão, aliviando muito da culpa que o zanzibarita teve em diversos dos conflitos de sua vida. Esse é um dos deslizes cometidos pela produção, que foi alvo de ressalvas de críticos especializados.

Outro ponto que pode incomodar aos mais criteriosos espectadores é a imprecisão temporal da narrativa. Para compilar tantos acontecimentos marcantes na vida do grupo, de seus membros e de seu principal símbolo, o projeto capitaneado pelo diretor Bryan Singer deixa a desejar na fidelidade do ordenamento cronológico de alguns fatos marcantes, como a apresentação no Rock in Rio, que ocorreu em 1981 e no filme acontece no fim da década de 1970 e a descoberta da soropositividade de Mercury, que ocorre em 1987 e é antecipada na película para antes da épica apresentação no Live Aid, festival humanitário organizado por Bob Geldof e ocorrido em 1985, com o objetivo de arrecadar donativos para ações de erradicação da fome no continente africano.

Os pontos altos da película são a trilha sonora, que utiliza versões remasterizadas de músicas do Queen, além de mostrar um dos principais sucessos do Smile, banda quase desconhecida que originou o lendário grupo inglês e a construção visual das personagens. A maquiagem e as roupas utilizadas pelos personagens – especialmente Roger e Brian – fazem com que em muitos momentos nos vejamos pensando que aqueles poderiam ser os músicos na aurora da juventude.

Definitivamente, o momento de maior carga emocional é a reprodução de parte do show do Live Aid. Reproduzido em minúcias, parece que fomos transportados para aquele dia 13 de julho de 1985. O show, que no filme tem aproximadamente 15 minutos, apresenta cinco das músicas de maior sucesso do grupo e se assistido em paralelo com o original, poucas diferenças serão sentidas. Foram replicadas as roupas com que os músicos se apresentaram, os instrumentos que foram utilizados e, até mesmo, os copos de Pepsi e cerveja em cima do piano de Freddie.

Mais do que um filme, Bohemian Rhapsody é uma grande homenagem prestada ao Queen e feita para homenagear seus fãs. A película emociona aqueles que possuem relações de afeto com a banda e com certeza, cativará novos apaixonados.

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