domingo, 2 de dezembro de 2018

Relembrando Dark – preparativos para a segunda temporada


Foto: (Reprodução / Poster Dark)
Estreou em dezembro de 2017 a primeira série alemã da Netflix. A história de Dark, que se passa em 2019, pode ser considerada uma das mais complicadas, se não a mais, de toda plataforma de streaming. Com a aproximação do ano novo e a segunda temporada prevista para chegar ainda em 2019, vale relembrar a surpreendente trama, dirigida por Baran bo Odar e Jantje Friese.

O enredo de Dark aborda temáticas que podem ser consideradas batidas em séries de suspense e drama – como sequestro, viagem no tempo-espaço e assassinato – mas de uma maneira que prende o espectador. Ao longo de dez episódios, quem assiste é empurrado de um enigma à outro, onde linhas temporais se cruzam e histórias de diferentes personagens, e as relações entre si, são abordadas em diferentes épocas. O principal elemento da série é um buraco de minhoca, uma das formas que a física já teorizou sobre a possibilidade de viajar pelo espaço-tempo. Quem introduziu a lógica por trás desse tipo de viagem originalmente foi o físico alemão Albert Einstein através da teoria geral da relatividade – um estudo muito complexo. Mas para entender a trama, basta saber que se trata, de forma muito resumida, de um tubo cuja entrada está em um período do tempo e a saída está em outro.

Para os amantes de ficção e de teorias físicas, como a da relatividade, a série alemã é uma boa pedida. Ao juntar estes temas, com o mistério do sequestro de crianças, os produtores traçam um pano de fundo para questões filosóficas, como por exemplo, de onde viemos e como o que fazemos influenciam, na forma de uma reação em cadeia, no futuro. Um ambiente mais sombrio, característico da cultura alemã, alimenta de maneira muito positiva a sensação de suspense e mistério de Dark. Apesar de ser comparada à séries atuais, como Stranger Things, ao meu ver, apenas a premissa se assemelha entre as duas – o desaparecimento de crianças de forma sobrenatural. Essa temática não se sustenta no decorrer da história, que prende o espectador pelo tom mais obscuro, e pelo enredo que, na medida que vai se desenrolando, consegue criar nós ainda maiores na cabeça de quem assiste.

Um aspecto da série que pode gerar problemas de compreensão, além da complexidade dos fatos apresentados na trama, é a quantidade de personagens. Por tratar da história de muitas pessoas, em diferentes anos, é necessária uma atenção maior para não se perder no decorrer das separadas narrativas e na interligação delas – para quem tem tempo, o ideal (e a vontade que temos) seria maratonar todos os episódios. Apesar do grande número de personagens, o roteiro deve ser parabenizado pela construção de cada um, com personalidades sólidas e momentos marcantes que se permeiam durante os anos deles na trama.

A fotografia e a trilha sonora de Dark também foram muito bem escolhidas. Tudo trabalha num conjunto para alimentar e incrementar o ambiente e o clima sombrio e melancólico da série. Alguns recursos sonoros foram usados de forma exagerada, principalmente em momentos onde o espectador deveria se assustar, como se o momento por si só não fosse suficiente sem a sonoplastia alta.

O grande sucesso de Dark está em conseguir acertar a balancear a complexidade – a série não é fácil de entender, mas, ao mesmo tempo que entrega perguntas, as respostas surgem, na medida certa para não ser impossível de se compreender, não de forma apressada, para não prender o público. O ritmo, nem tão rápido e nem tão lento, é ideal para não sobrecarregar o espectador de informações e o desfecho consegue ser simples, mas ao mesmo tempo, surpreendente.
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