sábado, 1 de dezembro de 2018

Ódio racional: o que há além da frustração pela Final da Libertadores na Espanha



Nem mesmo os maiores traidores da história da humanidade executariam um plano tão cruel. Determinar o mando de campo da decisão de maior repercussão da última década de história (ou mais) da Libertadores no colo dos europeus colonizadores, sobretudo em Madrid, é uma façanha negativa do ponto de vista histórico. Deveria ser crime, aliás.

No entanto, quem já está acostumado a desconfiar de situações como essa de 2018, envolvendo Boca Juniors e River Plate, pensa logo na pergunta ‘A troco de quê?’, ou ‘Vai valer a pena tudo o que se abre mão neste momento sobre o legado histórico do futebol sul-americano?’

E sabe o que é foda nisso tudo? É muito provável que dê certo, do ponto de vista mercadológico. É evidente que os europeus também não são o suprassumo da organização esportiva. É notório que também há corrupção envolvendo pessoas ligadas às instituições europeias e nem sempre o combate por lá é ideal (entendemos desse riscado também). Mas é bem factível a possibilidade de que os principais mercados latinos do futebol possam atrair maiores investimentos, assim como as linhas aéreas da Qatar Airways, marca que estampa diversas camisas europeias e desde maio patrocina o Boca.

E com acordos milionários de transmissões intercontinentais de eventos esportivos, como por exemplo a negociação de direitos do Brasileirão para o mercado chinês com oferta de U$ 200 milhões (dólares). Se vai causar grande impacto ou ter uma boa aceitação, ou nada disso, no mínimo, pode-se dizer que é provável estipular um aumento gradual dos números de 'searchs' sobre clubes brasileiros vindos da Ásia.

E quando o mercado fala a palavra mágica ‘Ásia’ - com todo respeito à cultura oriental - o que se diz nas entrelinhas é ‘gente pra caralho pra comprar os meus produtos e atribuir uma identificação com a minha marca’. É uma verdadeira mina de ouro, esperando para ser explorada, como os europeus (olha eles de novo aí) já fazem em sua massificação de Manchester United’s, Real Madrid’s, entre outros famosinhos por lá. 

A mídia também sente isso. E o portal As, um dos mais conceituados da Espanha e do universo do futebol europeu, criou uma categoria no site deles só para exibir informações sobre a Libertadores de River e Boca, atualizada rotineiramente e até cobertura em tempo real durantes os últimos julgamentos e pré-jogos realizados.

É aí que entra o mote de uma possível virada na situação. É aí que os adeptos em preservar a identidade mística do futebol sul-americano precisam avançar e preservar as histórias de rivalidade, respeito e pluralidade da Libertadores, dos clubes latinos.

Se não houver uma defesa contra um possível direcionamento financeiro excludente, como bem observamos no futebol espanhol, por exemplo, correremos o risco de repetir uma receita de fracasso no quesito competitividade. Palavra que, pra quem assiste aos jogos da Libertadores de maneira mais assídua, faz parte do vocabulário. O foda é esperar que essa galera que tá aí na Conmebol vá se preocupar com isso.
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