quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Escute os rumores que o vento sopra


Crédito: iTunes/Divulgação
Se você já assistiu a nova novela das 21h da TV Globo, percebeu que a música que toca em sua abertura não é uma das mais habituais a tocar no seu rádio. Trata-se de The Chain, sétima faixa do álbum “Rumours” da banda anglo-americana Fleetwood Mac. Lançada em 1977, ela faz parte de uma obra se tornou um clássico do rock e é aclamada por muitos como o melhor cd da carreira do grupo.

Na época do lancamento, a banda vinha no seu melhor momento comercial. O álbum anterior, intitulado Fleetwood Mac (1975), havia sido um estrondoso sucesso. Os singles “Landslide” e “Rhiannon” haviam ganho o mundo nos anos de 1975 e 1976. Em meados de 1976, a banda decidiu se reunir para gravar, mas durante esse período, aconteceu de tudo um pouco na vida dos integrantes, tornando as relações entre eles bastante conturbadas.

A banda que era formada por 5 membros, sendo estes dois casais, enfrentava no momento três divórcios. John (baixo) e Christine McVie (vocal e piano); Stevie Nicks (vocal) e Lindsay Buckingham (guitarra/vocal) estavam em período de separação e Mick Fleetwood (bateria) havia se separado da esposa, após ser trocado pelo seu melhor amigo. Ou seja, com suas vidas pessoais completamente sacodidas e praticamente sem trocarem palavras a não ser sobre a produção, o grupo se internou em um estúdio em fevereiro de 1976.

O cotidiano dos músicos era completamente desregrado. Eram realizadas festas todos os dias, que eram regadas a cocaína e álcool. Inclusive a música “Gold dust woman” composta pela vocalista Stevie Nicks, foi inspirada neste processo, na qual, ela acaba relatando parte do seu vício, pelo que ela chama de “poeira dourada” na composição.

O processo de gravação acabou por tornar-se demorado e começou a gerar rumores (tradução em português do título do álbum) sobre o fim da banda. Em 4 de fevereiro de 1977, o compilado é lançado, com 11 músicas e aproximadamente 40 minutos que variam entre os mais diversos do estilo do rock n’ roll e conta com baladas e elementos de blues.

As letras foram trabalhadas de maneira individual por Buckingham, Nicks e Christine McVie, exceto pela faixa nº 7, intitulada “The Chain” (O elo, em português), que foi assinada pelos cinco músicos. As canções tratam de relações pessoais, que podem, por muitas vezes, serem conturbadas, como eram as dos integrantes à época.

Rumours teve das suas onze canções apenas quatro singles, sendo elas “Go your own way” (seguir seu próprio caminho); “Don’t stop” (não pare), “Dreams” (sonhos) –, que é considerada por muitos fãs o maior sucesso da banda – e “You make loving fun” (Você torna o amor divertido)

“Don’t stop” foi composta por Christine McVie e teve colaboração de Lindsay Buckingham nos arranjos. É uma das poucas canções otimistas do álbum. Ela fala sobre o fim da relação de Christine com o seu marido e tem como objetivo incentivar os dois a seguirem em frente. Os versos “It'll be, better than before Yesterday's gone, yesterday's gone” corroboram com a afirmação de que não importa o quão ruim foi o seu ontem, amanhã sempre será outro dia e sempre poderá ser melhor.

"Dreams", de Stevie Nicks, e "Go Your Own Way", de Buckingham, são duas músicas intimamente ligadas. Ambas tratam do relacionamento entre os dois. Sendo que “Dreams” é uma letra esperançosa que dá a entender a expectativa de um retorno entre os dois, mas, porém com aquelas doses de veneno que todo fim de relacionamento traz consigo, enquanto isso, “Go your own way” é praticamente uma resposta composta pelo guitarrista para a ex-esposa, negando toda e qualquer possibilidade de retorno e inclusive expondo algumas das mágoas que este trazia da parceira.

O quarto e último single – e música preferida deste que vos escreve – é “You make loving fun”, música escrita por Christine McVie para seu affair e, depois da separação, namorado que, por sinal, era o diretor de iluminação da banda. Nela, McVie se declara para o novo amor, dando a entender que havia encontrado uma felicidade que antes não imaginava existir. Esta, por coincidência, ou não, é a música em que há participação mais destacada de John, o ex-marido, com uma linha de baixo bastante marcante.

Outras duas canções que chamam atenção são “The Chain” e “Songbird”. A primeira é a única canção assinada pela banda inteira e que apesar de tudo o elo que os une (que é a música) nunca se romperá. Promessa que fora cumprida durante um bom tempo. Songbird, por sua vez, é a música mais introspectiva do compilado. Mais uma que é assinada por Christine McVie e é uma das poucas – talvez a única – canção que não é endereçada a nenhum dos outros membros. É extremamente tocante e apresenta-se como uma pequena oração.

O álbum é brilhante do começo ao fim. Tem um instrumental muito bem equilibrado e adicionando a essa equação a interação entre os três vocalistas (McVie, Buckingham e Nicks) fez-se a receita de um clássico. Portanto, mais do que os conflitos entre os integrantes, este álbum deixa a mensagem que mesmo que alguma coisa esteja aos pedaços, a partir dela podem ser feitas obras-primas, como foi o caso deste álbum, em que com o mote das relações despedaçadas, foram feitas excelentes onze músicas que possibilitaram com que a banda se consagrasse no estrelato do rock mundial.
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