segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Pra não passar vergonha falando do 'Mais Médicos'


Foto: ABr
Com toda essa "polêmica" em relação aos médicos cubanos e o exitoso programa Mais Médicos, criado em 2013, vale trazer algumas informações que tive depois de algumas leituras (inclusive uma de um médico recifense):
A pequena Ilha no Caribe chamada Cuba coopera com cerca de 66 países em todo o mundo. Entre essas nações que recebem cooperação de de Cuba, estão algumas da Europa. Essa história começou em 2005, com a criação da Brigada Henry Reeve, para ajudar as vítimas do Furacão Katrina, que atingiu os EUA. O ditador Fidel Castro convocou diversos médicos e pediu que eles se organizassem para essa ajuda humanitária. Como era uma iniciativa cubana, os EUA negaram ajuda (assim como fazem com o embargo). Apesar disso, a Brigada se manteve unida e mobilizada.Pouco tempo depois disso, houve crise na Angola e terremoto no Paquistão, a Brigada foi pra lá. De graça.
Não sei se você sabe, mas é geralmente zero os gastos dos países que recebem ajuda de Cuba. A pequena ilha caribenha envia médicos e medicamentos 100% free. Grátis. De graça. Exemplos disso são o Nepal, o Haiti, Angola, Congo e outros países pobres estendidos sobre o globo. Os custos eram todos arcados pelo governo ditador de Cuba. Lembram do embargo que falei há pouco? Pois bem, como ajudar tantas nações sofrendo com o bloqueio econômico estabelecido pelos EUA? Fazendo parcerias. Cuba oferece assistência médica e os outros oferecem em contrapartida coisas que Cuba precise.
Alguns países da Europa pagam pelo "serviço" e o fazem diretamente ao governo cubano. A outra ditadura chamada Venezuela, que também sofre com embargos dos EUA, dá pra Cuba — que, por questões geográficas, não pode produzir sua própria energia —petróleo. Como são muitos os médicos cubanos no mundo, por meio dos acordos, para ajudar outros países, o volume de contrapartidas também. E assim, com essas parcerias, Cuba vai obtendo sua fonte de renda, obviamente trazendo impacto positivo em suas contas públicas.
Antes que você pense, os médicos cubanos, apesar da ditadura, não são obrigados a sair de casa, deixar a terra natal e a família. Eles se oferecem em um edital aberto para contratar médicos por meio de uma empresa estatal. Assim como nos editais no Brasil — de concurso, por exemplo — todas as condições são anunciadas de forma prévia. Depois de conhecer as cláusulas contratuais, os médicos assinam ou não o contrato. Vale dizer também que em Cuba, médico não é uma profissão liberal como no Brasil. Lá ser médico, é como ser policial. Você é funcionário público. Lá não tem clínica, nem hospital particular. É tudo de público, gratuito e de qualidade.
"Sim, Marcelo, mas e o salário deles? Por que vai mais da metade pra Cuba?" Ok, bença, vamos lá. Primeiro, o salário deles é pago, segundo as cláusulas contratuais, pela empresa estatal citada acima. Os governos — como o do Brasil — não são os contratantes, mas a empresa estatal, lembre-se disso. A contratante que é responsável pelas garantias legais asseguradas na constituição cubana, como assistência à família em caso de morte. Se um médico cubano morrer no Brasil, sobretudo em atividades relacionadas ao trabalho, sabe quando o Estado brasileiro irá pagar? Nada! É isso. Quem paga é a estatal cubana.
Além disso, é garantido pelas cláusulas contratuais 100% do salário que vigora em Cuba. Se observarmos os 3 ou 4 mil reais recebidos pelos cubanos que estão aqui — segundo muita gente que não tem esse dado de forma oficial — superam o assegurado pelo contrato. Pesquisa aí na net quanto ganha um médico lá.
"Mas, Marcelo, o que Cuba faz com o resto do dinheiro?" A resposta é simples e objetiva. Investe em educação e saúde para todos os cidadãos da ilha. Com o restante financia a formação, por exemplo, de mais médicos. E esses novos médicos poderão ajudar outros países, se quiserem. E assim Cuba ajuda o mundo e se ajuda.
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