domingo, 17 de fevereiro de 2019

Semana 6 do CBLoL 2019 complica tabela


Com o fim da semana 6 do CBLoL 2019 o término do 1º split se aproxima, embora Flamengo e ProGaming estejam isolados no topo e final da tabela respectivamente, uma inversão de colocados é muito possível entre os times que habitam as colocações do meio. Com diversos empates técnicos na tabela essa semana cria palco para jogos mais intensos agora que está tudo empatado.

Foto: LoL Esports BR/Divulgação

Vivo Keyd, Flamengo e KaBuM! saíram dessa semana com duas vitórias cada, com exceção do Flamengo que teve duas vitórias fáceis contra a Redemption no sábado (16) e a INTZ no domingo (17), KBM e VK “suaram” um pouco para garantir seus pontos.

Tanto a KaBuM! quanto a Vivo Keyd parecem ter trocado a estratégia de jogo para algo muito semelhante e que marcou a boa campanha da Redemption no início do CBLoL 2019 que é de jogar pensando em um late game enquanto vai buscando os objetivos da selva a fim de ter o boost necessário para ganhar as TF’s e chegar até o Nexus sem impedimento. Vemos dois times mais estratégicos, principalmente a KaBuM! que conta com a volta de Lee "Hiro" Woo Seok, técnico que levou o time até o MSI. Dois times clássicos dentro do CBLoL que prometem grandes jogos daqui pra frente.

Se o desempenho desses dois times está sendo louvável, não podemos dizer o mesmo de Redemption e Uppercut, os times que começaram ganhando todas e ameaçavam tirar a invencibilidade do Flamengo acabaram chegando em um ponto de declínio. UP e RDP terminaram a semana com duas derrotas e apesar de ainda habitarem o G4 estão a uma derrota de perderem a colocação para INTZ e VK. Os times perderam o elemento surpresa que eles tinham, a Redemption com o “Zuao” e a Uppercut com “Alternative” e “Lechase”, falta uma melhor adaptação ao meta e troca de estratégias pras duas equipes, a RDP perder a dependência do “Zuao” e a Up ser mais agressiva e não tentar levar o jogo tão longe com picks para early game.

A INTZ apesar de bons dois jogos acabou saindo sem vitórias dessa rodada ficando para trás da CNB e ProGaming que ficaram com 1 derrota e uma vitória cada. Como foi dito, a semana foi de “balanceamento” de pontos, tudo pode mudar na semana que vem, mas enquanto isso fique de olho na tabela:


TimesVD
1
Flamengo eSports111
2
Uppercut Esports75
3
INTZ e-Sports Club66
4
Vivo Keyd66
5
Redemption eSports66
6
KaBuM! e-Sports57
7
CNB e-Sports Club57
8
ProGaming Esports210

sábado, 16 de fevereiro de 2019

O PL Anticrime de Moro é razoável?


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Desde a campanha, o hoje presidente Jair Bolsonaro (PSL) dá um destaque, sempre que pode aos agentes de segurança pública. Em 2018, em meio à corrida eleitoral, afirmava que iria criar leis para dar mais liberdade à atuação policial. Agora, já presidente, sua gestão começa a caminhar nessa direção, por meio de seu ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato.

No começo do mês, Moro apresentou a governadores, parlamentares e imprensa um Projeto de Lei (PL) que altera legislações sobre corrupção e crimes considerados graves. O pacote endurece penas e restringe o acesso a eventuais benefícios que teriam os apenados. O PL Anticrime concede mais poderes aos policiais, pois os inclui com status especial nos chamados 'excludentes de ilicitude'. Ou seja, certas situações previstas na lei em que uma pessoa pode cometer crime sem ser punida pela Justiça.

O PL ainda não PL de Moro muda o artigo 23 do Código Penal e, consequentemente, a interpretação sobre os 'excludentes de ilicitude', pois eles são ampliados. Com a nova redação, se eles ocorrerem, a pessoa/agente público pode ter a pena reduzida até a metade ou até não tê-la aplicada. Para isso, é preciso quem cometeu o excesso estivesse em condições de “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”, coisas não previstas no texto atual e que abrem espaço para subjetividade e impunidade, considerando, sobretudo, o histórico da nossa polícia.

No Brasil, 5.144 pessoas foram mortas por policiais em 2017, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Se as regras atuais fossem válidas, os agentes poderiam, independente de erro ou acerto, falar que estavam alterados emocionalmente e teriam, certamente, a pena reduzida, pelo menos. Nosso histórico aponta que mudar a lei desse modo aumenta as possibilidades legais para não haver punições em casos do tipo.

Subjetividade


Incluir “medo, surpresa e violenta emoção” — elementos absolutamente subjetivos — no dispositivo legal faz com que a abrangência do texto extrapole casos policiais. A Lei vale para várias situações, entre elas as que envolvem cidadãos comuns que, eventualmente, terminem em um crime. Exemplos disso são as brigas de trânsito e discussões domésticas. Nestas situações, sobretudo na última, não é raro que haja lesão corporal ou feminicídio/homicídio, por exemplo.

Num cenário em que já há ampla impunidade para policiais que matam em serviço de maneira ilegal, o PL, a despeito de seu propósito, reforça a sensação de impunidade para esse tipo de crime. Por isso, eu pergunto, o pacote Anticrime de Moro é razoável?

Nada Ficou no Lugar 3: Preta Gil, Duda Beat e Jaloo


Preta Gil reinventou Pode se Remoer, que conseguiu soar mais natural que a própria versão original. (Foto: Youtube/Reprodução)
Na última sexta-feira (15), entrou no ar a terceira e última etapa do álbum Nada Ficou no Lugar, com novos nomes do cenário musical revisitando a carreira de Adriana Calcanhotto. Como já fizemos com as duas primeiras partes do projeto (links abaixo), visitamos hoje a etapa final. Essa parte, assim como as demais, teve seis músicas, foram elas, Pode se Remoer (Preta Gil), Seu Pensamento (Duda Beat), Esquadros (Jaloo), Já Reparô? (Letrux), Cantada (Depois de ter você) (Arthur Nogueira) e Inverno (Tais Alvarenga). Depois do lançamento, o projeto foi lançado, também, no formato de álbum.

Leia a crítica da Parte 1, que teve a participação de Johnny Hooker, OQuadro, Rubel e Mahmundi
Leia a crítica da Parte 2, que teve a participação de Baco, Alice Caymmi, ÀTTØØXXÁ e Mãeana

A primeira música da última parte do projeto é Pode se Remoer, na voz da carioca Preta Gil. A música, bastante secundária na carreira de Calcanhotto, perdeu o tom de vingança original e se tornou uma dançante música carnavalesca. Com traços de axé, música foi completamente reconstruída e o ar sarcástico foi substituído pela felicidade. A total reconstrução da canção pareceu totalmente natural, até mais que a própria versão original de Pode se Remoer. Pode-se dizer que é a única música de todo o projeto sem espaço para discussão sobre superar a versão de Calcanhotto.


A pernambucana Duda Beat deu nova vida a Seu Pensamento. O clássico de Adriana ganhou ares de technobrega que encaixaram perfeitamente com o forte sotaque de Duda e deram mais velocidade e animação a uma música originalmente mais lenta e pesada. A nova versão ganhou traços bastante personalistas e trocou o foco entre algumas frases da música, a ressignificando um pouco. Ao fim, a letra soa um pouco mais sexual que a original, mesmo se cantando a mesma coisa. Mais um grande acerto de Nada Ficou no Lugar.


A provável música mais famosa de Adriana Calcanhotto, Esquadros, foi revivida pelo paraense Jaloo. Em uma pegada muito mais pop e retilínea que nas originais (Adriana e Belchior), a nova versão rejuvenesce a música. A obra de Jaloo é, dentre todas do Nada Ficou no Lugar, uma das que mais mostra a personalidade do cantor. A música também tem uma evolução sutil, porém, interessante. As três melhores músicas dessa etapa, são essas três primeiras, que também estão entre as melhores de todo o projeto.


A quarta música da última etapa do álbum é Já Reparô?, na voz de Letícia Novaes, a Letrux. A carioca trouxe bem menos rock e pop que a alcunha de "nova Marina" dá a entender. O caráter pessoal de Letícia que ficou evidente na música foi seu lado experimental. De início, a música até pode causar estranhamento, mas logo evolui para o tom de vingança provocativa presente na letra de Já Reparô?. Letrux também foi, em todo o Nada Ficou no Lugar, a única cantora que se permitiu inserir uma brincadeira na letra da música que deu nova vida, ao colocar uma resposta da "sua nova namorada" tratada na canção.


Cantada, mais conhecida como Depois de ter você, foi interpretada por Arthur Nogueira. A canção, imortalizada na voz de Maria Bethânia, ganha um compasso mais cadenciado e eletrônico na versão do paraense. Apesar de dar ares mais jovens à música, a nova versão parece, por vezes desencaixada. A voz parece não estar acompanhando sempre o ritmo, que, por sua vez, não enaltece à letra. Isso tudo gera um resultado sutil, como se a música pudesse ser melhor aproveitada, mas sem gerar um produto ruim, ao final. Ainda assim, é a pior faixa da última etapa de Nada Ficou no Lugar.


No segundo EP, a carioca Tais Alvarenga deu nova vida a Inverno, um dos maiores sucessos da carreira de Adriana. A cantora fugiu um pouco ao seu próprio estilo, mas calmo e, sempre acompanhada por um piano, e trouxe uma versão mais moderna com diversos elementos eletrônicos. A música teve um bom encaixe entre os compassos, o canto e a letra, gerando um produto bastante diferente da versão original de Inverno, e obtendo um bom resultado.



Ao fim, a terceira parte do projeto se destaca como a melhor. Preta Gil, Duda Beat, Jaloo e Letrux têm apresentações de grande nível que se destacam entre as melhores de todo o projeto. Quanto ao Nada Ficou no Lugar como um todo, o projeto tem mais acertos que erros, e faz uma homenagem em altíssimo nível a Adriana Calcanhotto.

Confira abaixo uma playlist especial que preparamos com as versões originais das músicas do Nada Ficou no Lugar Parte 3.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Nada Ficou no Lugar 2: ÀTTØØXXÁ, Baco e Mãeana


O rap tem local de destaque pela segunda vez, com Baco Exu do Blues. (Foto: YouTube/Reprodução)
Nessa sexta-feira (15), entra no ar a terceira e última etapa de Nada Ficou no Lugar, projeto com novos nomes do cenário musical para revisitar a carreira de Adriana Calcanhotto. Então, estamos revendo as etapas do projeto e, hoje, Nada Ficou no Lugar Parte 2. O projeto produzido pela própria Adriana, teve a segunda parte lançada ainda em janeiro com Senhas (Baco Exu do Blues), Pelos Ares (Illy), Metade (Alice Caymmi), O Amor me Escolheu (Mãeana), Vai Saber? (Larissa Luz) e Toda Sexta Feira (ÀTTØØXXÁ).

Leia a crítica da Parte 1, que teve a participação de Johnny Hooker, OQuadro, Rubel e Mahmundi

O primeiro dos três EPs da segunda etapa começa com o baiano Baco Exu do Blues. Com Senhas, o rap volta a tomar local de destaque em Nada Ficou no Lugar. A música é uma crítica aos padrões com um forte discurso de inconformismo. Dessa vez, a música desconstrói completamente o trabalho de Adriana e ressignifica sua construção. A montagem original, com uma parte recitada e uma cantada dá maior destaque ao apreço pelo fora dos padrões. Baco, por sua vez, traz uma versão mais homogênea, o que acaba intensificando o discurso de inconformismo.

A outra faixa é Pelos Ares, interpretado pela baiana Illy. A nova versão da música é a mais similar à original entre todas das duas primeiras etapas do projeto. A interpretação de Illy traz uma releitura acústica com traços de bossa nova de Pelos Ares. A nova versão é um pouco mais fria que a de Calcanhotto, com um compasso mais sutil. Apesar de não alterar tanto, Illy consegue fazer uma versão interessante da música.


Abrindo o segundo EP, a carioca Alice Caymmi interpreta um dos maiores sucessos da carreira de Adriana, Metade. A revisita a uma das músicas mais sentimentais de Adriana perdeu grande parte da emoção por causa do excessivo e frio som eletrônico. Os compasses sintetizados moldam toda a música e, muitas vezes, não conversam com o que Alice canta. O fundo sonoro desconexo e desnecessário impede que a voz e o bom canto da neta de Dorival se destaque. O eletrônico perdido torna a música, de grande potencial, em uma das decepções do álbum.

O Amor me Escolheu, composição de Calcanhotto, cantada originalmente por Paulo Ricardo foi revivida pela carioca Mãeana. Na nova versão, Mãeana dá uma repaginada completa na música. Os acordes pesados trazidos por um piano e pela voz rouca do ex-RPM, que tornavam O Amor me Escolheu em uma música triste se apagam e a música se torna suave e romântica, num clássico estilo da chamada "Nova MPB". A faixa é, sem dúvida, uma das repaginadas mais surpreendentes do projeto e uma das melhores dessa etapa.



O último EP dessa etapa do projeto começa com Vai Saber?, interpretada por Larissa Luz. A baiana acerta na sonoridade, dando uma pegada mais pop ao samba. Os elementos eletrônicos já haviam sido inseridos na música pela própria Adriana, mas foram rejuvenecidos na nova versão. Larissa, porém, erra em uma coisa mais simples, a letra. A brincadeira composta por Calcanhotto muda alguns termos  na repetição dos três techos da música: "mudar", "se dar" e "jogar"; "supor" e "se por"; "duvidar", "considerar" e "reconsiderar". A versão de Larissa tem apenas duas repetições e não faz essa brincadeira que dá bem mais valor à música. Apesar do porém, a música é um acerto.

A banda baiana ÀTTØØXXÁ interpreta a ode à Bahia Toda Sexta-Feira, originalmente na voz de Belô Velloso. A banda dá uma grande personalidade à sutil música. A doçura de Toda Sexta-Feira adota a pegada do pagode baiano, a famosa swingueira e se torna uma música animada e dançante. Os vocais de OZ e Raoni encaixam perfeitamente com a letra e o ritmo e criam uma obra com a cara da banda.


Ao fim, a segunda parte do projeto tem mais acertos que erros. As versões de Mãeana e ÀTTØØXXÁ suplantam completamente as originais de Belô Velloso e Paulo Ricardo. Baco Exu do Blues traz uma repaginada que transforma Senhas em uma nova música. A segunda etapa do Nada Ficou no Lugar consegue emplacar um conjunto de acertos.


Confira abaixo uma playlist especial que preparamos com as versões originais das músicas do Nada Ficou no Lugar Parte 2.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Nada Ficou no Lugar 1: OQuadro, Mahmundi e Johnny Hooker


OQuadro deu nova vida à crítica racial de Negros. (Foto: Divulgação/YouTube)
Na próxima sexta-feira (15), será disponibilizada a terceira e última etapa de Nada Ficou no Lugar, projeto com novos nomes do cenário musical para revisitar a carreira de Adriana Calcanhotto. Então, vamos rever todas as etapas do projeto, começando hoje, por Nada Ficou no Lugar Parte 1. O projeto produzido pela própria Adriana, teve a primeira parte lançada ainda em dezembro com Mentiras (Johnny Hooker), Negros (OQuadro), Vambora (Priscila Tossan), Âmbar (Ava Rocha), Cariocas (Mahmundi) e Por Que Você Faz Cinema? (Rubel).

Nada Ficou no Lugar foi pensado para trazer um contraste de interpretações. Coordenando o projeto, Adriana Calcanhotto sempre declarou querer ver leituras diferentes das que ela deu às letras. A cantora inclusive, declarou, algumas vezes, esperar um "desrespeito" ao que ela fez. Pelo visto, ela conseguiu o melhor desrespeito que poderia se querer. O projeto foi dividido em três partes com seis músicas cada. As partes são divididas em três EPs de duas músicas.

Abrindo o primeiro EP, o pernambucano Johnny Hooker dá vida a Mentiras, música da qual foi tirado o título do projeto, Nada Ficou no Lugar. Hooker traz uma interpretação bastante pessoal e emotiva. A sonoridade da nova versão intensifica a letra de Mentiras, com uma dor melancólica bem perceptível. O crescimento dos acordes, com toque eletrônicos e de cordas, também potencializa a emoção na música. A revisita a Mentiras escancara a personalidade de Hooker, mas sem se sobrepor à sonoridade original de Calcanhotto.

A banda baiana OQuadro reviveu Negros, crítica racial muito bem construída por Adriana no início da década de 90. Nada poderia ser mair coerente que a escolha de uma banda de rap para interpretar uma crítica ao racismo. O ritmo, bastante identificado com temáticas políticas e de resistência, casou perfeitamente com Negros. A temporalidade que a discussão racial vem tomando também engrandece a faixa, que, de tão encaixada, parece ter sido feita para ser assim, um rap. A versão ganhou um novo significado e uma nova sonoridade que engrandeceram absurdamente a obra de Calcanhotto.

No segundo - e pior - EP, outro clássico revisitado foi Vambora, pela carioca Priscila Tossan, participante da última edição do reality The Voice. Enquanto a maioria das outras faixas escancaram personalidade, Tossan exaure toda a que existe em Vambora. Cada estrofe foi destroçada e reagrupada em um esquema 2-3-2-3 de versos, que mais parece aleatório. A sonoridade calma e sem nenhum tipo de crescimento é repetida durante toda a música, tanto nos tons de fundo, quanto na voz de Priscila. Além de tudo isso, pôr o refrão como só mais uma estrofe, ajuda a tirar qualquer traço de personalidade da música.

A outra faixa desse EP é Âmbar, conhecida na voz de Maria Bethânia, dessa vez interpretada por Ava Rocha. A carioca conseguiu o inesperado, trazer ainda mais melancolia a uma das músicas mais melancólicas de Adriana. A nova versão é mais lenta que a original e tem uma dor cortante nas notas, assim como na original, porém beira o chato às vezes. A principal diferença entre as duas versões é a presença que Ava coloca dentro da música, apresentando uma obra bem mais imposta que a original.


No último EP da primeira parte do projeto, a carioca Mahmundi cantou Cariocas. A versão, assim como a de Mentiras, remete à versão de Adriana, mas com traços de personalidade de engrandecem a interpretação. Mahmundi traz uma interpretação muito mais leve e divertida. O suingue trazido na nova versão conversa muito com a letra e seu ode ao jeito carioca de ser. A interpretação consegue captar um ar tropical, de veraneio. Pode-se fazer uma compreensão de que a versão de Adriana é a visão de alguém de fora sobre os cariocas, enquanto Mahmundi traz a visão do Rio sobre eles mesmos.

Por Que Você Faz Cinema? foi a faixa escolhida para ser interpretada pelo carioca Rubel. A nova versão é a própria definição de experimental. Os acordes mudam constantemente, variando de um leve violão até uma batida eletrônica mais intensa. A versão original já é uma música completamente experimental e peculiar, mas nada próximo à de Rubel. O resultado final é excessivamente peculiar e confuso.


Ao fim, a primeira parte do projeto tem acertos e erros. A versão de Negros, d'OQuadro é tão acertada que faz esquecer a versão original por alguns momentos. Vambora por Priscila Tossan é tão errônea que causa o mesmo efeito. Fato é que o projeto se inicia bem, além dos baianos, Hooker e Mahmundi encaixam perfeitamente e rejuvenecem a obra de Adriana Calcanhotto, que prova, mais uma vez, sua estrela.

Leia a crítica da Parte 2, que teve a participação de Baco, Alice Caymmi, ÀTTØØXXÁ e Mãeana

Confira abaixo uma playlist especial que preparamos com as versões originais das músicas do Nada Ficou no Lugar Parte 1.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Editorial: Uma perda imensurável para o jornalismo brasileiro


Que descanse em paz. (Foto: divulgação/Band)
Nesta segunda-feira (11), o Brasil perdeu um dos maiores jornalistas da sua história, Ricardo Boechat. Sua morte deixa muito mais que uma vaga na bancada da manhã da BandNews FM e da noite da TV Band. Além do claro espaço no coração de amigos e familiares, a morte de Boechat representa uma perda imensurável ao jornalismo brasileiro.

Nós, do Grupo Caixa de Brita, enquanto jovens jornalistas e estudantes de jornalismo sempre tivemos Ricardo Boechat como uma das grandes referências na profissão. Todos sempre o reconhecemos como um dos maiores jornalistas da história do país e um dos exemplos de como a opinião, a seriedade e o bom-humor podem se aliar dentro de nossa atividade.

Sua capacidade única de fazer críticas contundentes sem perder o humor, o transformou em uma voz ferina no combate à corrupção e às injustiças no país. Ricardo Boechat morreu como o principal jornalista em atividade no Brasil. Sua atuação sem medo de opinar será sempre lembrada como um marco no jornalismo nacional.

Nossos pêsames à família e aos amigos. Que ele descanse em paz.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Luto marca a 5ª semana do CBLoL


Devido à tragédia que tirou a vida de dez jovens no CT do Flamengo a semana 5 do CBLoL foi marcada pelo luto e homenagens por parte dos jogadores, confira na íntegra.

Bruno "Goku" Miyaguchi, midlaner do Flamengo. Foto: Reprodução/LoL Esports Br
O primeiro dia de jogos da 5ª semana do Campeonato Brasileiro de League of Legends contou com um jogo a menos, PRG e Fla não jogaram como sinal de luto à morte dos jovens jogadores do Flamengo que aconteceu na última sexta-feira (08) transferindo assim o jogo para a segunda-feira (11). Apesar da rodada não ter oficialmente terminado segue aqui análise dos outros jogos que ocorreram essa semana.

A semana foi boa para a INTZ e a CNB, ambas as equipes saíram com duas vitórias e garantem posições confortáveis dentro da tabela. O primeiro confronto foi da INTZ contra a Redemption, os INTrépidoZ mantiveram a domínio quase que absoluto da selva, foram cinco dragões e dois barões conquistados no total o que garantiu a vantagem de ouro até o final da partida, escalando no total de 16.1k a frente da Redemption. A RDP ousou nos picks com um Jarvan IV suporte nas mãos do “Ceos” que no fim não funcionou muito bem ficando com o A/M/A de 0/6/3, enquanto isso o “Zuao” que vem desde as primeiras partidas sendo a chave principal da vitória através da conquista de objetivos ficou isolado. A “Zuaodependência” ataca mais uma vez o time da Redemption que não consegue ganhar uma partida se a selva não for bem dominada. 

No primeiro jogo do dia 2 entre INTZ x PRG vimos uma ProGaming muito mais confiante e que soube dominar bem o jogo, uma escolha errado de Skarner como jungle pela INTZ custou muito nas criações de jogadas no early game, “Shini” não conseguia ganks efetivos e a PRG aproveitou isso para levar o jogo mais adiante, tirando toda a vantagem que o caçador tem nos minutos iniciais de partida. Apesar do ótimo desempenho a PRG parece ser a equipe que não sabe como finalizar um jogo e isso custou a vitória. A INTZ acabou fechando uma ótima semana e garantindo o terceiro lugar na tabela.

A CNB é um time que vem mostrando uma escalada de desempenho muito boa, o time que começou com a estigma de ser chamado de “pbO e amigos” agora vem salientando muitos outros destaques. Na partida contra a Vivo Keyd, perdendo em absolutamente todos os objetivos, a CNB conseguiu roubar um barão e contestar os jogadores adversários em uma segunda tentativa conseguindo um “Ace” no covil e partindo direto para o Nexus. O destaque da partida fica para o “Aslan” não só nessa partida como na partida contra a Redemption.

O que não teve de domínio na partida do sábado (09) sobrou no jogo do domingo (10) contra a RDP. Todos os dragões foram a favor da CNB, assim como o Arauto e um barão, e “Aslan” não só conseguiu o maior A/M/A (8/1/2) como também o maior Killing Spree. Se o ritmo da CNB continuar como está até o fim do primeiro split eles podem ser um problema para os primeiros colocados atualmente.

KBM x UP foi o jogo do "Alternative", o reforço da equipe vindo direto de Portugal puniu cada erro cometido pela KaBuM! e não foram poucos. Durante quase toda a partida a vantagem de ouro ficou com a KBM, mas eles não souberam aproveitar essa vantagem, também desde o início da partida eles ignoraram o dano do "Alternative" jogando de Sivir e em uma invasão a base acabaram mortos pelo adc dos Cangurus. Vitória da Uppercut.

No jogo mais rápido da semana a KaBuM! ganha da Vivo Keyd em 25 minutos de partida, com praticamente todos os abates a favor da KBM a vitória reaquece a subida do time na tabela que se distancia ainda mais da lanterna. O destaque da partida fica para o “Zantis” que ao receber um dive conseguiu um double kill em cima do “Tockers” e do “Professor” acabando a partida 6/0/4.

Jogadores e comissão técnica prestam um minuto de silêncio em homenagem as vítimas do incêndio no CT do Flamengo. Foto: Reprodução/LoL Esports Br/Youtube 

Muito se especulou sobre a partida em Flamengo e Uppercut, era esperado o pick do Twitch em alguns dos lados, o que não aconteceu. No duelo entre “brTT” e “Alternative” no bot quem brilhou de verdade foi o suporte do Flamengo “Luci”, a composição Tahm Kench e Viktor foi o crucial para o resultado a favor do Flamengo. O “Luci” impediu ao máximo qualquer abate contra o “brTT” e permitiu que ele crescesse dentro de jogo o suficiente para com facilidade vencerem a partida. 

Segunda (10) ocorre o jogo entre PRG e Flamengo encerrando a semana do CBLoL, e vai ter análise também desse jogo aqui no Caixa de Brita. Fique ligado. 

Mesmo com um jogo a menos o Flamengo segue na liderança, confira a tabela:

TimesVD
1
Flamengo eSports81
2
Uppercut Esports73
3
INTZ e-Sports Club64
4
Redemption eSports64
5
CNB e-Sports Club46
6
Vivo Keyd46
7
KaBuM! e-Sports37
8
ProGaming Esports18





sábado, 9 de fevereiro de 2019

[Política Traduzida #21] As eleições nunca acabam


João Campos e Felipe Carreras são deputados federais e virtuais pré-candidatos à Prefeitura do Recife (Foto: divulgação)
Por mais que as eleições propriamente ditas só ocorram de dois em dois anos, no âmago do cenário político, elas nunca acabam. Ainda antes do pleito de 2018, as eleições municipais de 2020 já estavam bastante vivas na pauta política. A cada entrevista de um daqueles virtuais pré-candidatos municipais, o discurso de foco em 2018 era pregado, mesmo sem enganar a ninguém. Já ali, quase diariamente, estavam presentes em algum dos principais cadernos ou blogs políticos, os nomes dos futuros candidatos.

Em Recife, o cenário é quase que inimaginável. Mais de dois anos antes do pleito municipal, um jovem que nunca exerceu mandato e uma vereadora estavam sendo apontados diariamente como principais candidatos à Prefeitura da capital. Quando inserimos os sobrenomes Campos e Arraes, tudo se explica. O que se falava era "quem dos dois for o federal mais votado de PE, é favorito à Prefeitura". João Campos foi o deputado mais votado da história do estado, Marília foi a segunda desse pleito. Seria João o favorito à Prefeitura, então?

A articulação não vive do que se fala nos bastidores. Enquanto Campos, do PSB, construía sua votação recorde, que deveria lançá-lo como favorito em 2020, outro deputado tinha os mesmos planos. Felipe Carreras, do mesmo partido, também construía uma candidatura para 2020 enquanto concorria à Câmara. Carreras é mais experiente e buscaria um crescimento na carreira, poderia buscar outro partido para se lançar. Campos ainda tem tempo, e não tem o trunfo da troca de partido. Ou seja, o favoritismo de Campos não era tão certo quanto se pensaria.

E, na realidade, nem só resta ao partido escolher qual dos dois será seu candidato. A articulação do PSB já vem sendo construída de muito antes, quando Geraldo Júlio encaminhou sua reeleição, ainda em 2016, já se começaram a construir as alianças que eclodirão em 2020. As eleições passadas também podem refletir nessas. PT e PSB acertaram um pacto de não agressão em 2018, que já cria um precedente para que a candidatura de Marília Arraes possa ser, pela segunda vez seguida, rifada pelo PT em pról de uma aliança com o candidato dos socialistas.

As vívidas articulações, conversas e planos dão uma continuidade única a um evento bianual. As eleições seguintes começam a acontecer nos bastidores muito antes do fim das eleições anteriores. Prova disso é que, além das de 2020, as eleições de 2022 também já estão sendo montadas. Assim como o prefeito, o governador está em seu último mandato e o PSB já monitora o nome do candidato da situação à sucessão. Hoje, o nome mais forte é o do próprio prefeito Geraldo Júlio, mas ainda há muita água para rolar nos próximos três anos e meio. O mesmo vale para as eleições de 2020.

Para os próximos pleitos, oposições e situações já trabalham por ganhar apoios, partidos já analisam candidatos, chapas e até secretarias. Além disso, diversos políticos já estão construindo seu jabá para fortalecer seu nome. Muito antes das brigas e discussões nas ruas, a articulação gera brigas e discussões nos gabinetes. E não vou nem falar de como isso pode ficar mais frenético e alucinante se a reeleição cier a ser proibida em um futuro próximo. A política respira eleição e vive a partir dela, então, fato é que as eleições nunca acabam.

Sobre como o cenário eleitoral vem se construindo hoje para as eleições de 2020 nas principais cidades de Pernambuco, o Política Traduzida debateu. Escute a edição #21 do programa de política do Caixa de Brita aqui abaixo, só clicar no play.

As chamas queimaram sonhos e devastaram famílias


Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Geralmente, escrevo apenas sobre política, mas o que aconteceu nesta sexta-feira (8) me incomoda e me faz escrever. A tragédia que tirou a vida de dez jovens, que tinham entre 14 e 17 anos, e deixou outros três feridos, deixa triste não só a nação flamenguista, mas todos nós que temos, ao menos, um pouco de humanidade. Eles eram jovens que estavam correndo atrás dos seus sonhos, que buscavam no futebol a oportunidade de viver uma nova realidade diferente daquela em que se encontravam, por exemplo, em suas terras natais. Eram garotos felizes por estarem em um dos maiores clubes do Brasil.

Aqui, vale parabenizar a FFERJ, que decidiu adiar as semifinais da Taça Guanabara para o meio de semana. Não há clima para futebol neste momento. A Federação Fluminense tomou a melhor decisão. Algo que a Federação de MG, em um exemplo de insensibilidade, não fez, por causa de Brumadinho.

A tragédia dessa sexta (8) aconteceu um dia depois de outra, que também atingiu o futebol. As autoridades identificaram como do atacante argentino de 28 anos, Emiliano Sala, o corpo encontrado em avião no Canal da Mancha. Sala estava em ascensão na carreira, indo ao Cardiff.

São duas notícias que nos deixam extremamente tristes, e assim ficam principalmente, os amantes do esporte mais popular da Terra, o futebol. A tragédia do Flamengo pode nos comover ainda mais, certamente, por se tratar de um time tão mais próximo do nosso dia-dia. Esta semana se encerra com lágrimas em vez dos gritos eufóricos de quem vibra a cada jogada, gol e vitória do seu clube.

É preciso investigar


É preciso que celeremente haja apuração e que sejam garantidas ações essenciais, como assistência, para a mitigação dos danos às famílias das vítimas e feridos. É preciso investigar para que, se culpados o Flamengo e a Prefeitura do Rio, sejam civilmente responsáveis pelas chamas que queimaram sonhos e devastou famílias. O rubro-negro, por ter de garantir a segurança dos jovens atletas. A prefeitura, se ficar comprovada falha na fiscalização do CT.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Ojuara é resistência


  Reprodução do Instagram (@ojuara9k)

Que a música brega, em especial o bregafunk, dominou o cenário da música local não dá para negar, mas essa ascensão do ritmo é bastante recente, datando meados de 2017 para cá, quando a classe média acadêmica começou a voltar seus olhares para o estudo do ritmo ou seu consumo em locais elitizados e higienizados, onde quem viu o ritmo nascer e crescer, provavelmente, não tem acesso.

Na contramão desse fenômeno recente estão os produtores de eventos da música periférica, que, resistindo à toda opressão e preconceito, organizam festas que misturam o funk de galera, o rap e o brega, observando e estimulando a formação do bregafunk, que surge, justamente, da mistura entre vários ritmos taxados como marginais. Um desses produtores foi e é Juan, mais conhecido como Ojuara, que desde 2016 criou seu próprio coletivo de bregafunk, a 9K, além de estar envolvido na cena periférica desde 2015, sendo, também, responsável por alavancar e dá oportunidade a artistas locais que hoje são conhecidos em âmbito nacional, a exemplo dos rappers Diomedes Chinaski e Luiz Lins.

Com cerca de cinco anos no desenvolvimento de seus projetos, Ojuara fez muitos contatos e ganhou respeito na cena underground recifense, chegando a levar suas festas a espaços, até então, nunca imaginados, como foi o caso de uma das edições do Baile de Favela ter sido realizada no Espaço Almirante do Catamarã e na sequência no Baile Perfumado, casas habitualmente frequentadas por um público mais “seleto”. O Baile de Favela é conhecido por trazer para o estado, com valores acessíveis, artistas como Vandal de Verdade, MV Bill, ADL, Kmilla do CDD, além de dar oportunidade para nomes do rap local mostrarem seus trabalhos.

Para além de todas as 12 edições do Baile de Favela, Juan também é responsável por tornar rotineira a realização de festas semanais, agregando vários ritmos periféricos na discotecagem de DJs residentes das mais diversas periferias da RMR, proporcionando a esses jovens outras possibilidades e perspectivas profissionais. Porém, em Agosto de 2018 todo esse trabalho e sonho foi interrompido.

Enquanto fazia a reposição de ingressos em uma das lojas com a qual havia  fechado para a venda do 12º Baile de Favela, Ojuara foi surpreendido por uma operação da Polícia Civil, que havia recebido uma denúncia anônima sobre o comércio de drogas no local. Por não fazer ideia do que se tratava, ele permaneceu no local, onde foi encontrada uma quantidade de entorpecentes e acabou responsabilizado pelo comércio, enquanto o dono e seus funcionários fugiram, se apresentando à polícia somente ao fim do período de flagrante. Juan segue preso desde então, com sua família e amigos realizando festas/bailes para que tenham condições financeiras de bancar seu processo e sua vida na prisão - ao contrário do que muitos pensam, estar preso custa caro financeira e psicologicamente às famílias e aos detentos.

Ojuara aguarda há seis meses pelo julgamento de um crime que não cometeu. Sem suporte psicológico, sem previsão de saída, sem previsão de ser julgado. Sua vida dentro do Centro de Observação e Triagem Everardo Luna (Cotel) é incerta, assim como a de tantos outros detentos, sendo eles culpados ou não. Juan é inocente, porém, pobre e “favelado”, é o preso perfeito para que o sistema judiciário deixe lá dentro e esqueça de sua existência, mas Juan não será esquecido por aqueles que apoiam sua causa, por aqueles que foram, de alguma forma, ajudados por seu trabalho nas ruas.

Na verdade, nenhum preso deveria ser esquecido, todos deveriam ser lembrados e tratados com dignidade, mas a realidade é cruel para aqueles que não fazem parte de um grupo com domínio das riquezas do país, pois enquanto senador tem helicóptero apreendido com quilos e mais quilos de cocaína, um inocente tem sua liberdade caçada, seus trabalhos e sonhos interrompidos e deixa uma cena cultural momentaneamente órfã.

Libertem Ojuara!